quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Desabafo

O problema é que as pessoas desistem muito fácil de mim e quando não desistem, eu não as quero. Mas tenho motivos. Motivos que podem não significar nada a ninguém, mas que para mim, valem muito.
Talvez o problema seja eu mesma. Nunca conheci ninguém que já pensou em sumir do mundo por causa de pessoas. Odeio pessoas. É cômico. O motivo da minha raiva é insignificante. Pessoas são insignificantes. Pessoas mentem. Eu minto.
Pessoas são nojentas, tenho raiva da minha raça. Gostaria de não depender de ninguém para poder viver sozinha, ou então, com animais de outras espécies.
Eu sou assim desde pequena. Não é brincadeira ou uma forma de me diferenciar dos outros. Eu não gosto de gente. Desde a minha infância, escolhi que viveria próxima dos bichos, por isso vou ser veterinária. Mas para isso, terei de lidar com pessoas. É triste.
Ninguém me entende, talvez um ou outro. Me chamam de chata, grossa, autista.. e quando estou relativamente bem, me chamam de oferecida, fácil, entre outros sinônimos. Deve ser porque depois de algum tempo, escolhi viver mais próxima dos homens. Mas escolho eles porque parecem mais com bichos.
Não, não parecem. Desculpe meu equívoco. Bichos são fiéis, gostam da gente independente da nossa classe social, cor de pele, tipo de cabelo, beleza ou nível de simpatia. Um cachorro ama seu dono, mesmo que este seja um traficante ou a pessoa mais eufórica do mundo (porque estas, pra mim, são as piores).
No momento, estou triste. Eu desaponto algumas pessoas que eu gosto que fiquem perto de mim. Justo essas, são as que desistem fácil de mim. Não tentam me entender, não me aturam. Confesso que as vezes gostaria de fazer diferença para elas. Mas eu sou muito substituível. Não sei o que fazer para isso mudar, e nem quero.
Nunca gostei de nada forçado e não é hoje que eu vou querer permanecer na vida de alguém por obrigação. Não mesmo.
Hoje eu caí na real. Não devo confiar em mais ninguém. Toda vez eu me decepciono. Eu estou cansada disso. Sempre a mesma história.
Queria ter o poder de simplificar tudo o que eu sinto para poder me expressar melhor, mas não consigo. Isso não é nem cinco por cento do que eu gostaria de dizer. Mas fazer o que, nem pra isso eu sirvo.


Juliana Roio